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#021 - Desconstrução

Dor.
Sujeira.
Barulho.
Pó.
Na placa diz: "Em Obras".
E estou assim.
E quem não está? Quem se acomoda?
Se acomoda por medo ou por achar que assim está bom?
Por não se atrever ao novo.
Por não ousar questionar.
Questionar a si mesmo.

Raul Seixas dizia: "Prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo."
O apóstolo Paulo dizia: "Não se conformem com este mundo, mas transformem-se pela renovação da mente para experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Paráfrase de Rom. 12:2)

Desconstruir requer paciência. É destruir algo já construído, que levou tempo e está enraizado.
A síndrome de Gabriela não tem vez nessa fase. Precisa cair por terra e liberar espaço para as máquinas entrarem e começarem o trabalho.
Por vezes não são as máquinas, mas apenas um martelo, quebrando pedacinho por pedacinho. Outras vezes o serviço é feito à mão mesmo.
Sangra.
Cria calo.
Cansa.

E em tempos e terra onde todo mundo sabe e entende de tudo, quem está disposto a se quebrar?
É a era onde com um click é possível deletar quem e o que não satisfaz meu ego. Trocar e destrocar. Encher e esvaziar. O controle está em minhas mãos e eu posso ser o centro do mundo. Mas, apenas do meu mundo.
Assim, se há alguém que precisa mudar, este alguém não sou eu. O que desconstruir em mim se estou certo o tempo todo?
Humildade zero.

Se por um lado é necessário blindar nosso princípios e convicções, pois a vida cria ciladas que querem apenas nos tirar a base e nos fazer desmoronar, por outro lado não é interessante estar engessado a ponto de não querer nem saber de novas ideias e pontos de vista diferentes dos que já estamos acostumados.

Mas se é pra desconstruir, qual o objetivo?

As cidades estão crescendo. Casas e edifícios antigos estão sendo desconstruídos para a construção de novos e modernos prédios e shoppings. A intenção é sempre inserir algo melhor, mas para isso o antigo precisa ser demolido. E não é pelo fato de serem antigos, pois eles também têm grande valor, mas sim por terem perdido a funcionalidade e por se saber que a mudança será benéfica.

Isso acontece com a gente também. Algumas coisas precisam mudar pois perdem a funcionalidade, e algo novo precisa começar.
Existem atitudes e formas que são repetidas ao longo do tempo sem sabermos o porquê de estarmos fazendo, apenas tradição sem essência.
Então são apenas as formas antigas que precisam mudar? Logicamente que não! Igualmente ruins, e muitas vezes até piores, são as novas formas que nos impedem de pensar e nos travam dentro de uma bolha social, nos tornando uma massa manobrada constantemente. Essas talvez são as mais difíceis de reconhecer e desconstruir, pois estar nelas significa estar na moda. E quem quer estar fora de moda?

Desconstruir para reconstruir. Atualizar sem perder princípios e a essência.
Difícil? Sim, mas necessário para não ser um robô adestrado.

Somos seres pensantes.
Questione.
Duvide.
Avalie.

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