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#006 - Amós

Quando falamos em estudos da Bíblia pouca importância damos, ou talvez não o suficiente, aos livros chamados Profetas Menores.
Na realidade muitos acreditam que o Deus do Antigo Testamento era muito mal, por isso preferem ler apenas Salmos, Provérbios e os Evangelhos do Novo Testamento.
Porém, quando adentramos às histórias Bíblicas conseguimos ver o quão importantes são e como Deus tem conduzido a história deste mundo estendendo Seu amor e graça.
O livro do profeta Amós possui essas características de maneira interessante. Em seu primeiro verso já podemos que Deus escolhe pessoas que ao nosso ver seriam incapazes de realizar a tarefa.
"Profecias anunciadas por ‘Amôwc, Amós, Encargo Pesado, criador de ovelhas em Tecoa, sobre as visões que teve a respeito de Israel, dois anos antes do grande terremoto. Nessa época, Uzzyâh, Uzias, Minha Força é Yahweh, era rei de Judá, e Iarovam ben Ioash, Jeroboão filho de Jeoás, O Povo Lutará, era rei de Israel." Amós 1:1 (Versão King James).
Aqui é também retratada sinteticamente a condição da época. Vemos dois reis cujos nomes significam "Minha Força é Yahweh" e "O Povo Lutará", o que nos leva a entender que não era preciso se preocupar, pois o povo lutaria e Deus seria a força. Por outro lado vemos um homem com um nome triste, pesado, fardo pesado, ou aquele que leva um fardo. E ele o levaria.
Se fosse hoje e houvesse uma comissão da igreja para nomear um ancião, dificilmente Amós seria escolhido. Mas Deus o escolheu.
A mensagem seria para os reinos de Israel, Judá e as nações vizinhas. Todos estavam vivendo na paz, na prosperidade, na fartura e na prepotência. Mas Deus via o que os olhos cegos humanos não podiam ver.
As palavras de Deus através do simples vaqueiro de Tecoa foram de reprovação para com o orgulho (caps. 4:4 e 5; 6:8), o luxo (cap. 3:15), egoísmo (cap. 8:4 e 5), opressão (caps. 2:6 e 7; 5:12; 8:6) e a idolatria (cap. 8:13 e 14).
As pessoas se orgulhavam e se promoviam mesmo fazendo as coisas que eram religiosas. Tinham mais de uma casa e usavam marfim e suas construções, ou seja, dentes de elefantes que sofriam para alimentar a luxúria de um povo que havia esquecido seu Deus. Logicamente isso leva ao egoísmo, os fazendo torcer para acabar o sábado para que pudessem estorquir e oprimir o pobre e o necessitado em suas vendas corruptas. Pais e filhos dormiam com a mesma mulher e a idolatria era algo normal.
Amós falou, mas ninguém o ouviu...
O incrível é que os séculos passaram, mas nós ainds estamos nos mesmos erros. Nos orgulhamos dos nossos dons, talentos e até mesmo da igreja; amamos nossos luxos, casas, carros e posses; somos egoístas e nos achamos o centro do universo; oprimimos nosso próximo mesmo sem perceber; e idolatramos a nós mesmos.
No fim, Deus e o meu próximo são sufocados por coisas que eu mesmo crio, até que eles somem e meu Eu assuma todo o poder.
Talvez o maior fardo de Amós tenha sido o se falar contra o Eu de cada um, pois isso dói e é uma "afronta"...
Por outro lado vemos um Deus que ainda se preocupa com um povo rebelde. Tão rebelde que se parece comigo.
No último capítulo Deus fala de restaurar, trazer a fartura e a bonança novamente. Porém em nenhum momento vemos o povo se mostrando arrependido.
Isso se chama Graça!
Estendida a todos, manifestando o caráter de um Deus cujo amor não entenderemos nunca com esta mente finita e deturpada.
Ele é o Pai que repreende seu filho para o bem, e depois, mesmo sem merecimento, o leva para passear de mãos dadas.
Fome e sede da Palavra só sentiremos quando reconhecermos nossa condição e entrarmos nosso Eu nas mãos dEsse Deus, na confiança e certeza de que Ele cuidará de tudo.

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