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#015 - Tóxicos

A palavra religião e seus derivados estão soando negativos.
Em 1971 John Lennon lançava uma música cuja letra dizia "Imagine não existir países / Não é difícil / Nada pelo que matar ou morrer / E nenhuma religião também / Imagine todas as pessoas / Vivendo a vida em paz". Incrivelmente, nela a religião está relacionada a um mundo sem paz. E para ferir qualquer ego religioso, ele realmente não estava tão errado assim.
Imagine homens sequestrando um avião com centenas de pessoas e lançando-o em prédios, em nome da religião. Imagine pessoas sendo extorquidas a venderem suas propriedades para levarem o dinheiro à igreja. Pense por um momento em líderes religiosos que ficaram milionários, compraram fazendas, aviões, relógios de ouro, enquanto seus fiéis dizimistas se apertam em um ônibus lotado para ganhar o pão de cada dia. Imagine, por um instante, um local onde você chegasse cansado e sobrecarregado, mas saísse pior do que quando entrou... Esse tipo de religião realmente precisa acabar. O mundo seria melhor sem ela.
Porém não podemos, com isto, demonizar a religião e sua religiosidade.
Etimologicamente a palavra religião vem do latim religio, religionis – “culto, prática religiosa, cerimônia, lei divina, santidade", porém não se tem certeza de qual verbo foi derivada, se relegere - “reler, revisitar, retomar o que estava largado”- ou religare, - “religar, atar, apertar, ligar bem”. Independente disso, qualquer um dos sentidos é muito válido. A religião precisa te ligar a Deus, e não te afastar dEle. Ao mesmo tempo ela precisa revisitar o que Ele fez (e ainda faz) pelo ser humano. Quando nos atentamos aos evangelhos, vemos tudo isso na vida de Jesus, diferente da ideologia que era imposta na época.
Podemos dizer, então, que existem dois tipos de religião: uma tóxica e outra saudável, existentes desde que o pecado entrou, não sendo algo exclusivo do século 21.
Retratando bem isso, Jesus contou a história de um fariseu (religioso) e um publicano (pecador) que subiram ao templo para orar (Lucas 18:9-14). O fariseu orava de si para si mesmo, se engrandecia e contava tudo que havia feito de "bom". O publicano apenas pedia misericórdia, pois sabia sua condição de pecador. Este último, segundo Jesus, desceu justificado para sua casa.
Mais do que nunca se faz necessário diferenciar o que é tóxico do que é saudável. Abaixo estão listadas algumas dessas diferenças:

Religiosidades
Tóxica
Saudável
Centro = EUCentro = DEUS
ColonizaEvangeliza
Prega para convencerPrega para converter
Gosta de númerosGosta de relacionamento profundo e único
Almeja palcosAlmeja transformação real
Coloca mais pesoTroca o peso com Cristo
Fecha as portas para os diferentesAbre as portas para todos
Cria divisões tolasNivela todos na mesma condição de pecadores
Se compara com o irmão e cria patamaresSe compara com Cristo e suplica misericórdia
Quer crescer sobre o irmãoDeseja o crescimento do irmão
Precisa ajudar Cristo na obra de salvaçãoA cruz basta
Obras para se salvarObras porque já está salvo
Ora para si falando de siOra para Deus
Se preocupa com o cargoSe preocupa com a obra ser feita
Se preocupa com o local onde vai adorarSe preocupa com quem está sendo adorado
Meros rituais sem racionalidadeLivre racionalmente e emocionalmente

Precisamos abandonar as religiões? Não. Precisamos redefini-las aos parâmetros de Cristo.
Sua religiosidade deve estar pautada no que Deus faz, e não no que você faz ou deixa de fazer para se salvar.
Sem isto seremos tóxicos...

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