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#018 - Surpreendidos

Por definição, estar surpreendido significa ter sido apanhado em flagrante ou de improviso. Remete à ideia de se encontrar numa situação não prevista, tendo que improvisar ou se refugiar.
Estamos no meio de uma pandemia, e nossa geração sente pela primeira vez o que realmente é insegurança, surpresa e responsabilidade social, em âmbito mundial. Neste grupo não incluo os "desavisados" ou os que acreditam em falaciosas teorias da conspiração, terra plana, etc. Se bem que até estes estão ficando de orelha em pé agora...
Talvez, o pior de ser surpreendido é não saber o que virá depois. E esse medo de novas surpresas traz a vontade de querer nos precaver e nos proteger de alguma forma, levando até a atos impensados, irracionais e egoístas.
Porém há diversos pontos que também têm me surpreendido e me fazem refletir e repensar alguns conceitos. Gostaria de dividir alguns com você.

Confiança em Deus.
Alguns líderes e membros religiosos estão dizendo que não se pode fechar as igrejas pois é preciso confiar em Deus. Para eles é necessário exercer a fé neste momento, indo contra as orientações das autoridades governamentais e religiosas sensatas. O que me surpreende é que a fé e a confiança em Deus se mostram justamente quando fazemos o contrário do que eles falam. Devo confiar que Deus me ouve e aceita minha adoração mesmo quando não estou num templo religioso. Preciso crer que Ele pode me sustentar independente do que vai acontecer com a economia após estes eventos. É necessário acreditar que Deus instituiu as autoridades e elas estão governando sob Sua permissão, portanto preciso atentar ao que eles dizem neste momento.

Interpretações de profecias.
O pastor Diego Barreto diz algo bem interessante em alguns de seus programas: a profecia bíblica não existe para descobrirmos o futuro, mas sim para entendermos quando ela estiver acontecendo. Existem pessoas na internet e nas igrejas que dizem desvendar profecias e criam teorias lógicas que nos levam olhar para o futuro e ter a certeza do que vai acontecer com o mundo, nos deixando preparados  com estas supostas revelações e interpretações. Porém, uma crise como esta que estamos vivendo vem e nos surpreende mais uma vez. Sem precisar matar tanto quanto numa guerra mundial, sem precisar derramar sangue através de armas. Não tem pra onde fugir, a não ser para sua própria casa. Um inimigo invisível, onde você pode ser infectado pelo membro mais querido de sua família, ou você pode ser o infectador. Para o mundo e quebra supostas interpretações sobre como ele vai acabar.

Salvar o mundo.
Acreditava-se que para salvar o mundo teríamos que realizar grandes ações, sermos reconhecidos e aplaudidos de pé na ONU. Hoje você e eu podemos salvar o mundo sem sair de casa, apenas nos cuidando, nos limpando e nos isolando. Simples e prático. Ninguém precisa ser o Super Man.

Interdependência.
O famoso "cada um por si" morre por aqui. Você pode comprar todo álcool em gel do mercado, mas se seu vizinho não se cuidar (talvez por não ter mais produtos na gôndola), você pode ser afetado do mesmo jeito. O processo inverteu e não é só "eu me cuidar pra não pegar", mas também "eu me cuidar para não infectar para o outro".

Geração autossuficiente.
A autossuficiência gerada pelo simples fato de termos o poder das coisas está sendo demolida por um pequeno vírus gripal que se espalha facilmente e rapidamente. Confiamos nos nossos smartphones e em nossa economia. Entendemos de política, finanças, compras de ações. Ridicularizamos a fé, falamos de teologia, filosofia e psicologia. Somos coaches. Somos mentores. Somos os caras! Mas e agora? Quem somos quando um problema "invisível" bate a porta e se desenvolve através de números crescentes? Para onde vamos? O que faremos?
É preciso baixar a bola e ter humildade. O orgulho é o pior dos vírus.

Estes são apenas alguns pontos. Ainda iremos aprender muito, se assim permitirmos.
Lembro que Jesus, ao falar sobre acontecimentos do fim dos tempos, chamou-os de "Princípo das dores". Ou seja, muita coisa ainda pode rolar. Mas Ele mesmo disse "Fiquem atentos e não se assustem, porque é necessário que isso aconteça, mas ainda não é o fim." Mateus 24:6 (NAA).
Viver é arriscado. Confiar é preciso.

Em quem/quê você confia?

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